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Traumatismo Bucal na Infância

Crianças costumam ter muita energia e disposição para correr, andar de bicicleta e brincar, porém, muitas vezes, a diversão pode resultar em uma queda ou acidentee, consequentemente, em um possível traumatismo bucal.

kid2Quando se trata de bebês, as lesões costumam ser bastante comuns também, pois nessa fase estão aprendendo a dar os primeiros passinhos, o que os faz levarem alguns tombos durante o aprendizado.

Assim que ocorre o trauma, é importante que os pais levem a criança imediatamente para uma consulta com o Cirurgião-Dentista, pois, em determinadas ocasiões, o dano pode ser maior do que aparenta ser. De acordo com a odontopediatra Carolina Steiner Alarcon, há diversos tipos de classificações de traumas bucais, podendo eles ser direto – quando o próprio dente e áreas vizinhas são atingidos –, ou indireto – quando o impacto ocorre no queixo, por exemplo, podendo atingir os dentes, áreas vizinhas e até os ossos do rosto. “Outra maneira de classificar é quanto ao local atingido: traumatismos de tecidos duros dentários (trinca, fratura de esmalte, fratura de esmalte e dentina, fratura de esmalte, dentina e polpa e fratura de esmalte, dentina, polpa e tecidos periodontais) e injúria aos tecidos periodontais (concussão, subluxação, luxação intrusiva, extrusiva e lateral e ainda avulsão)”, afirma.

Os dentes mais afetados são os incisivos centrais superiores, sejam eles de leite ou permanentes, e a prevalência de traumas ocorre na faixa etária de 0 a 36 meses (principalmente dos 12 aos 30 meses) para os dentes de leite, e entre 7 e 14 anos para os dentes permanentes. Segundo a odontopediatra Ana Lucia Furquim Soares e a ortodontista Eloisa Peixoto Soares Ueno, os traumas nos dentes decíduos ou permanentes devem ser analisados sempre com muita cautela. “O importante é que seja feita uma anamnese detalhada para colher dados da historia médica e odontológica da criança, para depois realizar o exame clínico e radiográfico, pois só assim teremos um diagnóstico e conduta para o tratamento”.

Elas explicam que no caso de fraturas coronárias, coronário-radiculares, radiculares, concussão, subluxação, e luxação o tratamento será bem semelhante entre os dentes decíduos e permanentes. Já no caso de avulsão ou luxação, existem algumas diferenças. “Há muitas controvérsias com relação ao tratamento de dente decíduo quando ocorre avulsão, mas é de comum acordo que não tenha iniciado a rizólise para fazer a reimplantação. Porém, a maior parte dos profissionais prefere não reimplantar para não afetar o germe do permanente”, comentam.

Quando ocorre a avulsão de dente permanente, a tentativa de reimplantação é sempre válida. Nesses casos, Carolina diz que as chances de sucesso vão depender de vários fatores, como: “o tempo que isso ocorre (quanto mais rápido, maior a chance), do meio que esse dente foi transportado até o cirurgião-dentista (os mais recomendados são leite ou a própria saliva, mas nunca seco), e de subsequente tratamento de canal no dente e contenção semirrígida. Além disso, os responsáveis devem ser orientados sobre a necessidade da criança receber uma dieta líquida-pastosa por alguns dias, e de que será necessário realizar um acompanhamento clínico e radiográfico do dente reimplantado por um longo período. É bom ressaltar que, mesmo que todos os critérios tenham sido respeitados da maneira mais correta, ainda pode ocorrer reabsorção desse dente e um insucesso da terapia de reimplante a médio-longo prazo”.
Com relação a casos em que ocorre luxação intrusiva de dente decíduo, Dra. Ana Lúcia e Dra. Eloisa alertam para a necessidade de verificar se o germe do permanente foi afetado. “Caso isso aconteça, é indicado a exodontia, mas, se não houve dano, deve-se aguardar a reerupção espontânea, que ocorre em um período entre 15 e 30 dias, e reavaliar”. Mas, se a luxação for em dente permanente, elas recomendam aguardar a reerupção nesse mesmo período e, caso seja necessário, propor outros tratamentos, como o ortodôntico etc.

Importante salientar também que em casos de traumas em dentes decíduos, se o tratamento não for bem feito, pode ocasionar problemas na dentição permanente. “Devido à proximidade das raízes dos dentes de leite com os germes dos dentes permanentes que estão em formação, podem surgir alterações anatômicas e de coloração das coroas, e também alterações na posição do permanente. Em alguns casos é possível que aconteça até a não erupção do dente permanente afetado, permanecendo este incluso mesmo após a esfoliação do dente decíduo. Além disso, o traumatismo nestes dentes pode ainda trazer problemas ortodônticos, pois em casos de perda precoce dos dentes decíduos, podem ocorrer migrações dos dentes vizinhos, ocasionando a perda de espaço para a erupção do seu sucessor”, afirma Ana Lucia e Eloisa.

Uma grande incidência desses traumatismos dentários está relacionada à prática de esportes competitivos e recreativos, principalmente os de contato. É comprovado que, nessas situações, o uso de protetores bucais reduz a frequência e a severidade da maioria dos traumas, porém, por não serem obrigatórios, seu uso é muito reduzido. Suas funções são evitar o contato entre os dentes superiores e inferiores; manter os tecidos moles separados dos dentes, prevenindo a laceração dos lábios; e reduzir a pressão intracraniana e a deformação óssea ocasionada pelos golpes.

O texto acima foi publicado na edição de Abril de 2013 da Revista da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas) e teve a participação de Dra. Ana Lucia F. Soares e Dra. Eloisa P. Soares Ueno como consultoras técnicas. Neste texto destaca-se a importância dos cuidados corretos em casos de traumas bucais na infância.

Por Paula Ricupero